segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Fisioterapeuta é Doutor?

 Já há algum tempo, muitos questionamentos têm sido apresentados sobre o direito ou não dos fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, na sua área de atuação, se apresentarem como doutores, sempre contestando o fato de que doutor se aplicaria apenas àqueles profissionais que possuem o título de doutorado.
A origem do termo doutor encontra-se na palavra latina doctor, que significa mestre ou professor, pertencente ao verbo docere, cuja tradução é ensinar. Um doutor, considerando-se do ponto de vista estritamente etimológico da palavra, é aquele que ensina. Segundo nossos principais dicionários da língua portuguesa, Aurélio, Michaelis, etc., doutor, em suma, significa: todo aquele que cursou doutorado; pessoa considerada muito culta, importante; todo indivíduo formado em curso superior.
Não é de hoje que médicos e advogados, por exemplo, tem sido considerados doutores mesmo sem possuírem doutorado, isso graças ao respeito que suas profissões conquistaram ao longo da história, assim como sua importância e grau de instrução. Tendo isto como base e possível concluir que não só fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, mas outros profissionais de nível superior, como é descrito nos dicionários, tem o direito de se portarem como tais em suas áreas de atuação.
Erroneamente, aqui no Brasil alguns profissionais têm adotado os termos FT (Fisioterapeuta) e TO (Terapeuta Ocupacional), transcritos dos profissionais portugueses e originados dos moldes PT (physiotherapeutic) e OT (occupational therapist) dos norte-americanos ao invés de usar o título Dr. A abreviatura FT e TO não é oficial no Brasil, sendo recriminadas pelos Conselhos Regionais e Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, CREFITO/COFFITO.

RESPALDO LEGAL PARA O USO DE DOUTOR PELO FISIOTERAPEUTA E TERAPEUTA OCUPACIONAL


O PRESIENTE DO CONSELHO REGIONAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL DA 5ª REGIÃO – CREFITO-5; no uso de suas atribuições e competência prevista no inciso II, do art. 44, da resolução COFFITO-6, tendo em vista o deliberado na reunião de diretoria, realizada em 23/10/2000, em consonância com a luta até então desenvolvida pelo egrégio conselho federal de fisioterapia e terapia ocupacional – COFFITO, e considerando:

1- A não existência do direito positivo brasileiro, consubstanciado na lei n. 5.540 de 28.01.68, e no decreto lei n. 465 de 10.02.65, de preceitos legais disciplinando a concessão do título de doutor;


2- Baseando-se em que o uso do título de doutor tem por fundamento procedimento isonômico, sendo, em realidade, a confirmação da autoridade científica profissional perante o paciente;


3- Que o título de doutor tem por fundamento praxe jurídica do direito consuetudinário, sendo de uso tradicionalmente aceito entre os profissionais de nível superior;


4- Que a praxe jurídica fundamentada nos costumes e tradições brasileiras, tão bem definidas nos dicionários pátrios, assegura a todos diplomados em curso de nível superior, o legítimo direito do uso do título de doutor;


5- Que a não utilização do título de doutor leva a sociedade e mais especificamente a clientela do profissional da área a que se destina assistência fisioterapêutica, pressupor uma inadmissível e inconcebível subalternidade, em se tratando de profissional de nível superior;


6- Que deve ser mantida isonomia entre os componentes da equipe de saúde e que o título de doutor é um complemento, um “plus” na afirmação de um legítimo direito conquistado ao nível de aprofundamento em uma prática terapêutica com fundamentação científica;


7- A inexistência, na língua portuguesa e na legislação própria das expressões FT e TO, o que por lógico torna inadmissível a utilização de tais abreviaturas como identificação do profissional da fisioterapia e da terapia ocupacional, respectivamente;


8- Que expressões outras que não fisioterapia, dificultam e não identificam de forma clara e objetiva o profissional da fisioterapia e terapia ocupacional;

DECIDE: Recomendar aos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais que, na sua atuação profissional, usem o título de doutor, por se tratar de um direito legítimo e incontestável. Outrossim, decide ainda, não reconhecer as abreviações FT e TO, como identificadoras dos profissionais Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais.


Sala de sessões, 23 de outubro de 2000.




 Dr. Fernando A M Prati                                        Dra. Lenise Hetzel
          Presidente                                                    Diretora Secretária




REFERÊNCIA:

13 comentários:

  1. Muito interessante o texto, mas infelizmente muitos de nossos colegas não possuem este conhecimento e erroneamente utilizam a abreviatura Ft, a qual eu também não concordo. Devemos utilizar o termo Doutor, pois além de termos o nível superior e o conhecimento, devemos evitar uma "inadmissível e inconcebível subalternidade", como já dito no texto.

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  2. basta saber que todas as profissões em Bacharelado conferem o título Dr.

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  3. O mais correto, ao meu ver, seria o pronome de tratamento "Dr" para os profissionais com doutorado.

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  4. Cultura do Brasileiro ex-escravo, capacho de coronel, sair chamando Clínico Geral de Doutor, Delegado de Doutor, Advogado de Doutor... Doutor não é quem fez doutorado então? Está escrito no dicionário que quem cursou faculdade é doutor? rsrsrs
    Nessa cultura de país ex-escravocrata colonizado muitos ainda precisam se auto-afirmar com isso... Da queda na qualidade do ensino superior (e em todos os outros níveis tbm) ninguém discute ou comenta, porque ter o título é mais importante que ser de verdade (pra muitos profissionais...). É muita gente procurando se auto-afirmar ao invés de fazer um bom trabalho.
    Me desculpem os discordantes... Essa é minha opinião.

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  5. Eu discordo destes que acham que os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais não podem utilizar o título de Dr., pois acho que estes ainda não conhecem a verdadeira importância de um profissional com este conhecimento e julga até mesmos a qualidade de ensino superior como um todo... um indivíduo não tem o mesmo carácter de outro e até mesmos instituições diferem umas das outras... RSRSRS, é por ainda existirem pessoas assim que a humanidade não evolui, não reconhecendo o valor do outro.
    Eu concordo sim com o texto... nós profissionais da área e nossos pacientes sabemos o valor destas profissões e devemos utilizar o termo Doutor, pois além de termos o nível superior e o conhecimento, devemos evitar uma "inadmissível e inconcebível subalternidade", como já dito no texto e citado anteriormente pela cara amiga Carolzinha. Essa é minha opinião e deveria ser de todos os profissionais da área que se auto-valorizam.

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  6. Caros colegas ambas as opiniões tem seu valor, mas gostaria de ressaltar que há uma importância muito grande em nos portarmos, pelo menos perante os pacientes, como Doutores, pois querendo ou não, impõe mais respeito perante os mesmos. Quem é da área já deve ter percebido que os pacientes que te chamam por Doutor ao invés de você, geralmente demonstram mais respeito e não tentam ficarem íntimos dos terapeutas ao ponto de confundirem as coisas as vezes.

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  7. No caso dos advogados, existe uma Lei Imperial (que ainda não foi revogada), determinando que eles sejam chamados de Doutores, e isso inclui Juizes e Promotores, que é uma espécie de advogado. As outras profissões, somente com Doutorado mesmo.

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  8. Se querem chamar de Dr ou nao isso pouco importa !!! O importante e realizar o tratamento correto e resolver o problema do paciente , assim vc sera respeitado e chamado de Dr.

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  9. engraçado que nunca vi esse texto no crefito, só em redes sociais e sempre com o mesmo erro ortografico de PRESIENTE.. e mesmo se visse como um presidente de um conselho poderá impor isso? Isso é só pra inflar egos mesmo de qualquer profissional (pq doutor é título e nao pronome de tratamento).

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    1. http://www.crefito8.org.br/site/legislacao/crefito8/resolucao_crefito8_23_00.htm

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  10. Veja alguns pontos:

    1- Qual origem desse texto? Pois no site do CREFITO ninguém acha essas informações, o texto oficial, e absolutamente nada. Só o texto publicado em blogs e redes sociais (diga-se de passagem copiados descaradamente com o mesmo erro ortográfico do PRESIENTE. tsc, tsc. Nem pra isso se atentaram em consertar). Afirmar que o PRESIDENTE do CREFITO disse isso me soa parecido como dizer que Shakespeare redigiu o famoso texto o Menestrel (mais uma piada da Web).

    2- Segundo ponto: O que o presidente qualquer, de um conselho qualquer, de um curso qualquer pode inferir e/ou interferir sobre esse assunto? Como diria um comentário de um rapaz no facebook:
    DEIXA VER SE EU ENTENDI: CURSA-SE UMA FACULDADE QUALQUER, CRIA-SE UM CONSELHO QUALQUER, ELEGE-SE PARA ESSE CONSELHO UM PRESIDENTE QUALQUER, ESSE PRESIDENTE DECIDE QUE O CARA É DOUTOR, E PRONTO? É ISSO ? ENTENDI DIREITO?

    3- Até onde sabemos, Doutor é uma titulação acadêmica, e não pronome de tratamento

    4- Você como profissional de saúde e por possuir nível superior deveria averiguar bastante suas fontes, verificar o nível de evidência das informações (não só judiciais mas também em relação a tratamentos e procedimentos, coisa que provavelmente você não deve fazer, mas fica aqui a dica).

    5- Como diria mais um comentário do facebook sobre esse seu triste e provavelmente falso texto (já que ninguém acha o original publicado no Crefito, ninguém sabe quem é o presidente ou PRESIENTE que publicou isso, porque o nome dele nem aparece em nenhuma rede social ou blog onde esse texto foi publicado.)
    Eu sou doutor e não sabia. Mesmo sem ter feito o doutorado(PhD) coisas do jeitinho brasileiro. De um país de analfabetos.

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    1. 1) tá aqui o texto no site do crefito que vc tanto deseja http://www.crefito8.org.br/site/legislacao/crefito8/resolucao_crefito8_23_00.htm

      2) não foi um presidente qualquer de um conselho qualquer de um curso qualquer que fez isso, mas um presidente qualquer de um conselho qualquer de vários cursos quaisquer, pois essa mesma resolução existe em várias profissões

      3) vc como profissional de saúde deveria dar um google antes de se dar ao trabalho de vir na página alheia ofender as pessoas... Se vc tivesse feito isso, em 1 segundo teria achado a resolução do tópico 1.

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  11. Bom Galera, podem afirma que sim ou que não... Faço Residencia na minha cidade e luto pela minha área, ou melhor pela minha profissão.
    Ser Dr, tem um significado enorme, pois não sou melhor e nem pior que alguém que é formado em medicina, tenho paciente dos hospitais de oncologia e percebo muito a forma que você é visto, pois o Titulo não muda o profissional, mas sim a importância da quele profissional. Eu estudei 5 anos, 1 ano a menos que na medicina, ralei, lutei e me formei faço residencia 2 anos e meio, garanto e bato no peito que sou Dr.
    Minha Opinião
    Dr. Marcelo Rosa

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